26.4.07

Anarquistas Graças a Quê ? *



Poderia escrever sobre como os extremos se tocam, se unem e são uno e a mesma coisa. Iriam pensar que falaria de religião, amor/ódio ou poder. Mas não seria sobre nada disso.

Era bom pôr umas fotografias para que se percebesse. Mas as fotografias não saíram nada de jeito, até porque a máquina estava mais preoocupada em servir de arma de arremesso a qualquer instante.

No entanto, aquilo a que assisti hoje fez-me pensar. E continuo a achar, como já suspeitava antes deste episódio, que se vivem tempos muito complicados em termos de ideologias, discussão saudável de ideias e ideais, deturpação e tentativa de imposição de um qualquer conceito de liberdade, defesa de tipos extremistas de organização social, uso da violência como acto político, vazio como argumento.

Tenho pena que tantas pessoas se julguem diferentes daqueles contra os quais "lutam", sem se darem conta que se transformaram, através dos seus actos, num rebanho comandado sabe-se lá pelo quê, ou por quem em concreto.

Mas será que estas pessoas de que falo querem saber pelo que são movidas? Preferem tapar a cara a assumirem o que defendem de cabeça erguida, recorrem à violência física e verbal para apregoar liberdades, criam guerrilhas e guettos ideológicos urbanos compostos por indivíduos mimados e ocos, sem argumentação, sem ideias concretas, sem saberem o que querem fazer com as suas vidas...
O movimento Black Block já está entre nós.

Afinal vou colocar aqui umas fotos, mesmo sabendo que estão uma merda.

* Trocadilho feito com o título do livro "Anarquistas Graças a Deus" de Zélia Gattai

4 comentários:

Insano disse...

O instinto animal territorial... como andar ao milho, tipo "fight club" parece irracional aos olhos dos dogmas da sociedade, arranja-se um ideal para libertar todos esses recalcamentos reprimidos...

Abraço,

Rodrigo Cabrita disse...

Triste realidade esta...

Devaneante disse...

Concordo com quase tudo o que aqui dizes Skinstorm. As fotos não estão uma merda. Mostram aquilo que viste e permitem que outros, que, como eu, não estiveram lá, percebam a dimensão e o espirito do que ali se viveu, e isso é que, para mim, é jornalismo.

De resto, nada que venha dos extremos pode ser bom.

Sobre este assunto, ouvi no outro dia uma conversa que me deixou não só à beira de um ataque de nervos, mas sobretudo preocupada com o rumo que as ideias extremadas parecem estar a tomar em Portugal, por tradição País de brandos costumes.

SkinStorm disse...

Não, as fotos não mostram nada do que vi ou vivi. A coisa esteve feia para o meu lado, pela 1ª vez em muitos anos a fotografar manifs.

Também não me parece que venha nada de bom desta "luta surda" entre extremos. A ver vamos no 1º de Maio.

As ideias extremadas também estão a ter mais eco por serem noticiadas. Acho bem que o sejam para as pessoas estarem alerta.

Há muitos anos que extremos organizados existem em Portugal mas a maioria das pessoas não lhes dava qualquer importância. Com as notícias pode-se estar a criar o efeito contrario à intenção, que é o de arranjar mais seguidores da causa. Mesmo assim prefiro que sejam notícia a haver um vazio.