7.1.06

"Endre Friedman é o "homem que se inventou a si mesmo". Em Paris, conhece Gerda Taro, uma refugiada alemã, também fotógrafa. Apaixonam-se. E decidem formar uma associação com três pessoas. Gerda era secretária e gestora de vendas. Endre era o funcionário da revelação. Ambos empregados de um rico, famoso, talentoso (e imaginário) fotógrafo americano chamado Robert Capa (significa "tubarão", em húngaro). Friedman tirou as fotos, Gerda vendeu-as e o crédito foi dado a um invisível Capa. Como ele era um milionário, Gerda nunca vendeu as fotos por menos de 150 francos. O segredo foi descoberto pelo editor da "Vue", Lucien Vogel. O mal estava feito: Vogel mandou Capa e Taro para Espanha.

Gerda Taro morreu na guerra espanhola a fotografar.

"A guerra é como uma actriz envelhecida - cada vez mais perigosa, cada vez menos fotogénica."

Robert Capa disse um dia a Henri Cartier-Bresson: "Não mantenhas o rótulo do fotógrafo surrealista. Diz-te fotojornalista, senão vais cair em maneirismos. E deixa o surrealismo no teu coração." E continuou: "Se te dizes artista, não te encomendarão nenhum trabalho. Apresenta-te como fotojornalista e poderás fazer o que quiseres." Esta era a liberdade de Robert Capa.

Quem é, afinal, Robert Capa? Um cigano, um rufia, diz Bresson, um homem a "snifar" a vida. Bebia com Hemingway, jogava póquer com John Huston, viajava com Steinbeck. Um apaixonado. Devorador de mulheres. Mundanas ou famosas, Gerda Taro ou Ingrid Bergman. Capa é, então, um jogador. Compulsivo. Arriscado. "
in Público

Estou perto demais?

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